Cia. de Atores Invisíveis apresenta releitura japonesa da peça “Hamlet”

seg, 27/07/2009 - 21:50 — Hick

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Ou Hamuretsu
Cenas de Ou Hamuretsu © Divulgação

Do dia 25 de julho a 27 de setembro, a Cia. de Atores Invisíveis apresenta no Rio de Janeiro o espetáculo Ou Hamuretsu, uma releitura da clássica peça teatral Hamlet baseada em elementos tradicionais da cultura japonesa.

O processo de criação de Ou Hamuretsu durou um ano e meio e envolveu pesquisas sobre aspectos diversos da cultura japonesa, como teatro kabuqui e nô, a música e a preparação de artes marciais para aprofundar a linguagem corporal dos onze atores. Mas o objetivo, segundo o grupo, não é fazer um tradicional teatro japonês. A ideia é buscar esta inspiração, criar uma leitura própria e fazer uma homenagem à cultura oriental que tanto influencia a companhia.

Esta ligação vem desde que conheceram o livro O Ator Invisível, de Yoshi Oida, um dos principais atores da prestigiada companhia de Peter Brook. A linguagem do autor, assim como a maneira como ele encara a arte do ator, inspirou o grupo a ponto de batizarem a trupe com o nome da obra. Oida se tornou uma espécie de mestre e seus ensinamentos ajudaram a montar o espetáculo Expectantes, que ficou dois anos em cartaz no Rio (2007/2008).

Yoshi Oida
O ator Yoshi Oida

A admiração pelo ator japonês, que mora atualmente na França, foi correspondida com um grande presente. Ele aceitou fazer uma participação no atual projeto da companhia. Oida aparece ao fim de Ou Hamuretsu, numa gravação em vídeo, feita especialmente para a peça. “Ele fez tudo com tanto profissionalismo e humildade que nos fez crer que estávamos certíssimos em admirar sua vida e obra”, conta a atriz Kátia Jórgensen, que assina a produção ao lado de Márcio Moreira.

Entre os 11 atores da peça está Pedro Naine, que interpreta os personagens Marcelo e Horácio. O ator é irmão de Victor Naine, o 徹-toru-, guitarrista da banda PSYGAI, que teceu uma crítica exclusiva sobre a peça para a Rádio Blast!.

Ser ou não ser? To be or not to be? 生きるべきか死ぬべきに1? That is the questiON! A escolha e a angústia invólucra de liberdade é o que cerca a peça do consagrado bardo. Como diz o filósofo Walter Benjamin, toda tradução é a priori frustrada, mas faz revelar a essência da linguagem chamada original. É isso que parece propôr o diretor Márcio ou William com a peça “ou Hamuretsu”. Uma tradução do teatro inglês sob a linguagem nipônica não é tarefa das mais fáceis. Porém, meio ao turbilhão de escolhas, a essência aflora. Como diz o diretor, “uma obra de meta-teatro a partir da análise ativa da peça de Shakespeare” é também uma obra de meta-linguagem, onde o que muito importa é a passagem — de um movimento ao outro, de uma língua à outra; ou ao paladar: sinestesia! A peça salta do cenário e eleva os atores acima da plástica, sobrepujando a lei da gravidade, desconstruindo, causando estranhamento, alguma vertigem e reflexão... Apesar dos cacos, dos fragmentos que compõem cada cena, a peça é um receptáculo de influências que confluem num movimento cíclico de escolhas: “escolham desligar ou não os celulares e bom espetáculo”. A interpretação faz jus ao Uroboros, assim como ao 序破急-johakyū-, e se deixa preencher por Hamlet. Gilda é Guildenstern, Rosa é Rozencrantz; Pedro Naine interpreta Marcelo assim como Horácio; Felipe Naine ou Z, o tradutor do texto japonês, também é invisível... O conteúdo vago das escolhas se repete, submetido a outra forma. Tudo isso, com a interpretação impecável de Atores Invisíveis, que, assim como o fazem no Japão, não deixam o ego transparecer exaltado, mas estão por trás de máscaras ou véus, como o 黒子-kuroko-, do teatro de bonecos... O espetáculo começa grande e ora é amenizado pelas críticas severas à cultura-teatro: o monólogo de Hamlet ora é fidedigno, ora é violado e resolvido com ironia e dor. O espectador sente isso, faz parte disso, e conduz a peça com o olhar. Por trás de tudo e de todos os fantasmas da peça, há um que preenche o espaço, onipresente; a participação do grande mestre é apreciada: Yoshi Oida, depois de Pillow Book (Peter Greenaway), “mostra como os segredos e os mistérios da interpretação são inseparáveis” (Peter Brook) aparece na tela e consagra o fim de “ou Hamuretsu”, mas o reinício de Hamlet, no mundo dos mortos, através do espelho, com Telmah... Ser ou não ser? To be or not to be? 生きるべきか死ぬべきに? That is the questiON!"

徹-toru-, PSYGAI.

Flyer virtual:

Ou Hamuretsu
Clique no flyer para ampliá-lo.

Serviço:

  • Espetáculo teatral Ou Hamuretsu
  • Quando: 25 de julho a 27 de setembro (sábados e domingos), às 18h30
  • Onde: Fundição Progresso (Teatro Armazém)
  • Endereço: Rua dos Arcos, 24, Lapa — Rio de Janeiro
  • Ingressos: R$ 20,00 ou R$ 80,00 (o público escolhe)
  • Classificação: 18 anos
  • Maiores informações: (21) 9320‒3862

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imagem de Suiyama

Suiyama disse:

qua, 29/07/2009 - 13:05

Espetacular!
Adoro Shakespeare e invejo muito os cariocas nesse momento, com alguma esperança de que a Cia venha para outros estados. Uma releitura deste gênero me dá muitas expectativas... Pena não poder conferir.

imagem de Tiano

Tiano disse:

qua, 29/07/2009 - 17:39

Caralhoooo! Eu preciso ir ver isso
Marcarei com Neo, Dana e Cia Ltda toda
*-*

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Jana Daisuke disse:

qua, 29/07/2009 - 19:31

Fiquei triste por não poder ter ido na estréia, mas irei em breve ^_^

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Freya disse:

qui, 30/07/2009 - 01:03

Simplesmente fodaaaaaaa!
Preciso ir ver isso [2]

imagem de Wellington Dias

Wellington Dias disse:

qua, 05/08/2009 - 03:44

Segundo a premissa da "escolha" tentarei resumir minhas impressoes do espetáculo. Bonito visualmente, tanto pelo figurino simples e interessante, como pelos elementos esteticos, como a sombrinha de Ofélia, o bandolim e mascaras. Mas no todo, o espetaculo parace nao estar totalmente pronto, ou realmente pode querer dar essa impressao, já que sao infinitas as camadas de metalinguagem na peça. Sobre os atores e atrizes e suas respectivas atuaçoes: A personagem de Hamlet, ou Telmah (interessante o anagrama) nao consegue segurar suas enormes quantidades de cenas, senti vontade de mais atuaçao de outros personagens, que além de serem muito mais cativantes, sao interpretados por atores mais consistentes, como o caso de Ofélia, a rainha Gertrudes e Willian. Os demais atores e atrizes, dão a sensaçao de "encher a linguiça" ou apenas compor a cena. Os 90 minutos viraram 120, chegando a incomodar a duraçao! Apesar de algusn cliches, a peça é importante no cenario Carioca, já que nao há muito teatro de pesquisa. Assistam este espetáculo e reparem neste personagens citados, no figurino e nas musicas muito bonitas! bom espetáculo!

imagem de としあきEdison Nequete

としあきEdison Nequete disse:

dom, 23/08/2009 - 09:22

"Quando acabou o espetáculo "ou Hamurestu" ,julgei ter sido um sonho o que acabara de acontecer num dos espaços da Fundição Progresso. Sonho ou alucinação de um velho culto de teatro.De teatro feito com inteligência. Teatro nascido da perene dúvida entre o ser e o não ser e que tenta resgatar plenitude de vida passageira. Em verdade, os atores deram mesmo a impressão de fantasmas, forçando o espectador a entregar-se aos discípulos de Yoshi Oida.
A atriz Kátia Jórgensen, é a melhor atriz que surgiu desde os últimos 60 anos.Impressionadíssimo com o resultado passei mais de uma semana à espera de rever o trabalho que tem dramaturgia de Márcio Moreira e Pedro Borges, com direção do primeiro.Voltei a maravilhar-me com uma das mais belas demonstrações do teatro brasileiro. Que bom haver jovens por aí que podem dar lição até a veteranos."

imagem de としあきtiago pereira

としあきtiago pereira disse:

qua, 26/08/2009 - 17:18

Achei a peca teatral muito boa. Todos os artistas fazendo seu trabalho maravilhoso.
Fiquei emocionado e quero voltar. Muito boa a ideia de misturar o Japao com o Brasil.