Blastionário! recebe Osama

qui, 19/03/2009 - 17:54 — Hick

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Essa entrevista foi transmitida no programa "Blastionário!" do dia 11 de julho de 2008. As perguntas que a compõem são espontaneamente enviadas por ouvintes da Rádio Blast! (algumas são também formuladas por Tiano, apresentador do programa).

A tendência é que o preconceito diminua cada vez mais. As pessoas estão finalmente se tocando que o fato de uma pessoa ser homo, hetero, bi, tri, tetra, pentasexual não, necessariamente, afeta na sua personalidade, caráter e integridade
Osama, em 11/07/2008.

  • Nome completo: Rodrigo Nunes de Oliveira
  • Idade: 25 anos 
  • Cidade: Belém, São Paulo, Rio, Brasília, Uberlândia, onde as promoções da Gol me levar
  • Quanto tempo na rádio: 1 ano e 5 meses
  • Ocupações fora da rádio: Engenheiro estrutural, uploader de sites de animes, entre muitos outros projetos
  • Para baixar o programa: acesse o post no Arquivo B!

Panda: Como muitos sabemos, a rádio tem como maior público os fãs de anime, mangá e cultura japonesa. Você é um dos poucos DJs com um programa de temática não-oriental na grade. O slogan da rádio diz "Rádio Blast!, uma explosão de conteúdo". Você acha que a rádio deveria balancear mais a quantidade de programas orientais/ocidentais?

Osama: Acho qualquer tipo de bitolação prejudicial. Você gosta de j-music? Ótimo! Mas não se limite apenas a isso. Fora, de repente, cansar-se rapidamente de músicas boas, você acaba desperdiçando a chance de conhecer músicas ótimas dos mais variados tipos.

Lily: Como você se prepara para dar aquele show "locutando"?

Osama: Eu? Show locutando? Acho que você está me confundindo com outra pessoa. Chega a hora do meu programa, eu dou o play e falo! Não me preparo, não! E minha voz é tosquérrima, vai ver por isso algumas pessoas gostam.

Tiano: Te irrita os comentários negativos dos otakus nos programas ocidentais?

Osama: Me irritar, não, só cansa às vezes. Mas tenho em mente que quem perde são eles por serem tão extremistas. E, meu —fazendo o paulista nato—, se não gosta do meu programa, vai ler um livro!

Dana: Como é ser o idoso da equipe da Blast!? Como é ter que administrar um projeto que tem como maioria dos integrantes pessoas bem mais novas que você?Em algum momento você sente (ou sentiu) a idade pesar?

Osama: Antes de tudo, Dana: seuku! E isso de idade é realmente relativo. Me considero mais jovem que muita gente com 10 anos a menos que eu. E quando falo que me sinto jovem, não quis dizer imaturo, fikdik.

Tiano: Como é sair de uma cidade no norte do Brasil, arrumar um emprego numa metrópole como São Paulo e começar uma vida nova sem conhecer quase ninguem? Há algum conselho pra quem quer tentar o mesmo?

Osama: Tenho um conselho sim... NÃO FAÇA ISSO! Brincadeira, não é tão difícil assim quanto as pessoas pensam. Tudo bem que tive que fazer uma rifa pra trazer dinheiro, passei seis meses a base de bandejão da USP, bolacha cream cracker e água, com 130 reais pra me alimentar por mês. Mas eu consegui e... JAMAIS SENTIREI FOME NOVAMENTE —fazendo a Scarlet O'hara... ok, não é da sua época e você não vai lembrar. Mas quando você tem um objetivo à sua frente e está disposto a enfrentar vários percalços para alcançá-lo, você consegue.

Tiano: Aproveitando esse lance de idade, quais os planos futuros de Osama? Pensa em voltar pra terra de Joelma ou estabelecer moradia no Rio, já que nos faria todos muito felizes?

Osama: Voltar pra Belém??? NEM A PAU, JUVENAL! Belém ficou pequena demais pra mim. Quero conquistar novos lugares... No mínimo Europa, América, Oceania e 15 territórios a escolha! Quanto a me mudar pro Rio, a idéia é ótima. Mas o mercado na minha área —Engenharia Civil I mean, não da viadagem— não é tão bom quanto aqui em Sampa.

E estou muito bem aqui em Sampa. Meu emprego está estável, tive um aumento recentemente —não, não dou empréstimos— e a empresa está crescendo com a minha ajuda... Isso é o que me deixa mais gratificado.

Futrigo: Como você se sente sendo querido praticamente no Brasil inteiro tendo nascido no Pará, morando em São Paulo, viajando pra Brasília e pra Uberlândia e fazendo ponte aérea pro Rio sempre para ver seus amigos mais queridos?

Osama: Sou querido no Brasil inteiro??? JURA MENINË?!?!?!?! Ahazei Bangu, Nilópolis, Corinthians-Itaquera, Oiapoque e Chuí! Beijosmeidolatre.

E sou apenas autêntico... sempre eu mesmo... e se pessoas de todo mundo me gostam do jeito que sou, só tenho a agradecer a estes milhões de amigos que tenho.

Tiano: Você acha que os nerds e os gays, não necessariamente as duas coisas ao mesmo tempo, estão ganhando mais "espaço na mídia"? Acha que o eterno preconceito contra gente como a gente vai cair por aí mais cedo ou mais tarde?

Osama: Estou na comunidade "QueerNerds", fikdik! A tendência é que o preconceito diminua cada vez mais. As pessoas estão finalmente se tocando que o fato de uma pessoa ser homo, hetero, bi, tri, tetra, pentasexual não, necessariamente, afeta na sua personalidade, caráter e integridade.

Katsumoto: Já sofreu algum preconceito (discriminação) pela escolha sexual? Qual a sua reação?

Osama: Antes de tudo, é "orientação sexual", e não "escolha". Ninguém escolhe ser gay. Você acha que álguem ia querer ser discriminado por pessoas e não poder beijar seu namorado em qualquer lugar, por exemplo, se fosse realmente uma escolha? Mas enfim, isso foi apenas caráter informativo e não uma crítica, viu?

Enfim, todas as pessoas que ficaram sabendo que eu era gay reagiram numa boa. Talvez pela abordagem que eu usei. Na semana passada, por exemplo, apresentei meu namorado a todo mundo do escritório num churrasco. Mas as pessoas já me conheciam a minha personalidade e levaram numa boa. Uso essa abordagem para que pessoas com "pré-conceitos" —separado mesmo, pra enfatizar a semântica— não façam pré-julgamento da personalidade e ações das pessoas baseado na sua orientação sexual. As pessoas me conheciam e já sabiam como eu era. Viram que o caso de eu ser gay não me tornava com personalidade diferente que os demais, já que eles nem desconfiavam —não, eu não sou pintosa sempre.

Baixe o programa com a entrevista em áudio, comentários de Tiano e Tititi e mais uma seleção de músicas do entrevistado clicando aqui.

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