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Quarta reportagem da série Olhar Japonês trata da técnica do haikai

Por Hick em qua, 18/06/2008 - 09:32


Você sabe o que é haikai? Matéria no Jornal da Globo te esclarece.

A penúltima reportagem da série Olhar Japonês do Jornal da Globo trata de uma técnica de se produzir poesia própria do Japão, o haiku (俳句), conhecido por aqui como haikai (俳諧). A matéria foi ao ar na última quinta-feira, dia 12 de junho, e traz trechos de entrevistas com alunos e professores brasileiros que estudam o recurso. "Sugerir no lugar de dizer. Sem título, sem rima. Em poucas palavras, uma fotografia de um instante. O haikai é o tema da quarta reportagem da série Olhar Japonês", segundo nota no site oficial do noticiário.

Pedimos desculpa pelo atraso com a postagem dessa notícia. Infelizmente, em decorrência dos três dias de instabilidade técnica pelos quais o site passou recentemente, não pudemos trazer o review desta reportagem da série com a pontualidade que apresentamos com as três primeiras. Esperamos que entendam e desde já agradecemos a compreensão.

Finalmente, assista e leia na íntegra a matéria do Jornal da Globo sobre o haikai.

Poesia japonesa

O haikai é uma tradicional forma de poema do Japão. A síntese é sua principal característica. Sem título ou rima, em apenas 17 sílabas, muito sentimento.

Da síntese vem a força da poesia tradicional japonesa. Que, quatro séculos depois de ganhar forma, virou assunto de sala de aula no Brasil.

O haikai no original japonês é quase uma fórmula matemática: Três versos de cinco, sete, e cinco sílabas.

“É esse desafio de conseguir colocar em 17 sílabas muita coisa, muito significado, muito sentimento", diz Mika Yagura, estudante.

Quando as palavras certas se encontram, dá orgulho. "Fazer essa síntese envolve essa simplicidade que o japonês tem. Então, me sinto feliz, talvez até honrada de estar aprendendo a pensar como japonês", fala Thais Froes, estudante.

Apenas estando aqui,
Estou aqui,
E a neve cai

Kobayashi Issa

"O haikai é um poema da sugestão, você sugere, não diz. E isso na verdade é uma essência da arte japonesa”, Jō Takahashi, Fundação Japão.

Para escrever um haikai, é preciso abrir mão de expressar diretamente os sentimentos. Amor, alegria, tristeza nunca aparecem com essas palavras. São os elementos da natureza que simbolizam o estado de espírito. O ciclo das quatro estações lembra que nada é para sempre, tudo tem um fim. Assim é o haikai:

Breve e sutil,
Do outono ao verão,
Como a vida.

A referência a uma das quatro estações, que no Japão são bem definidas, é indispensável no haikai tradicional.

A flor de cerejeira, ou sakura, símbolo do país, é uma das palavras que sugerem primavera.

"A cerejeira floresce de uma forma, digamos, muito rápida e também as flores perecem num período muito curto, isso tem um sentido, da necessidade, por exemplo, das pessoas fazerem o melhor naquele tempo que é concedido", analisa Minoru Naruto, professor de arquitetura.

Flores de cerejeira no céu escuro
E entre elas a melancolia
Quase a florir

Matsuo Bashō

Com haikais como este, Matsuo Bashō se tornou o grande nome da poesia japonesa.

No século 17, Bashō uniu o haikai ao pensamento zen. Ensinamentos budistas, como viver o presente, buscar a essência e valorizar a contemplação também estão presentes no haikai.

"Você fica contemplando a natureza e de repente as coisas se equilibram dentro de você de tal forma, que o haikai vem, te acontece, como o piscar de um vagalume”, diz Alice Ruiz, escritora.

Engano amigo
Tenho a impressão
Que a lua vem comigo

Alice Ruiz

Há 40 anos, a escritora Alice Ruiz faz do haikai uma prática zen. E ensina os segredos da poesia japonesa.

"Não intelectualizar, isto é, não colocar teu pensamento sobre as coisas, mas procurar fazer um registro do que está sendo visto", explica Alice Ruiz.

A concisão do haikai, que desembarcou no Brasil com os primeiros imigrantes, conquistou os modernistas, como Oswald de Andrade.

O mar urrava
como um fauno
após o coito

Oswald de Andrade

Guilherme de Almeida gerou polêmica ao acrescentar título e rima ao poema.

O pensamento
O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

Guilherme de Almeida

Quebrando regras, os poetas brasileiros tropicalizaram a poesia japonesa. A marca de Paulo Leminski, um dos maiores entusiastas do haikai, era a irreverência.

Confira
Tudo que respira
Conspira

Paulo Leminski

É de Millôr Fernandes um haikai de despedida.

Passeio aflito,
Tantos amigos
Já granito

Millôr Fernandes

Profundo e conciso, o haikai se renova no ritmo acelerado do mundo.

"Nós vivemos um tempo sem tempo, nós não temos mais tempo pra nada. O que precisamos aprender é dizer o suficiente em poucas palavras, que é exatamente o que o haikai nos ensina", avalia Alice Ruiz.

A última reportagem da série aborda, assim como a segunda (que retratou anime e mangá), um dos temas mais esperados pelos espectadores do noticiário que já se identificam com a cultura japonesa: a música e suas confluências.

Fonte: Jornal da Globo

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