
Como estão os artistas asiáticos no mercado mundial?
BoA · DIR EN GREY · GLAY · Hikaru Utada · MTV · Música · POLYSICS · Rain · WonderGirls
É muito raro um artista musical asiático se dar bem em algum mercado ocidental. E por “se dar bem” quero dizer investir naquele mercado, de modo que haja um bom retorno pra tal investimento.
Esse retorno pode ser facilmente percebido. Se o artista ou a banda sempre fazem shows e lançam discos num país, é porque o mercado de lá os aceitou bem, claro. Um dos poucos e inusitados exemplos de bandas japas que se deram bem na Europa e nos EUA é o POLYSICS. Eles lançam álbuns e tocam nesses lugares desde o início dos anos 2000, é mole?
Um exemplo mais próximo do visual kei é o DIR EN GREY. Começou a investir no Europa em 2005 e nos EUA em 2006. A coisa não parecia ir bem, eles tavam pagando altos micos nos festivais que participavam. Mas não é que a insistência parece ter valido a pena pra eles? Tal qual POLYSICS, DEG continua lançando discos e realizando turnês pelo primeiro mundo ocidental, com direito ao orgulho, segundo seus padrões, de ter vendido, nos EUA, em apenas uma semana, 6.000 cópias de seu último álbum, UROBOROS (2008).
Não é o caso da velha guerreira Hikaru Utada, a célebre j-cantora do hino “First Love”. Ela, como vários outros artistas e bandas japoneses, de diferentes níveis de fama, quebrou a cara no Tio Sam. Mais, ela o fez duas vezes. Da primeira, em 2004, lançou lá EXODUS, que vendeu 55.000 cópias, segundo este cara da Billboard (a Oricon estadunidense). Tem um detalhe: ela está muito acima dos patamares de DIR ou POLYSICS. Utada é figurinha carimbada da Oricon. Aparentemente, 55.000 pra ela foi muito pouco, saiu no preju. Afinal, ela sumiu por completo do país até 2009, quando lançou uma versão ianque de This Is The One. Segundo o mesmo artigo da Billboard, vendeu 5.000 cópias em mais ou menos um mês. Não achei dados atuais, mas acho difícil ter passado muito disso até agora. Que baque, hein? No site Utada.com, o oficial estadunidense da mina, a última notícia é de maio, sobre uma votaçãozinha boba e inútil. O último post de blog é de junho, sobre o cancelamento da aparição de Utada em eventos nos EUA por motivo de doença. Até hoje, ela não fez um único show na América do Norte.
Sei não... Imagine que você tenta em 2004, não dá muito certo, mesmo com toda a promoção em rádios e tal. Aí, em 2009, o que mudou foi que tem uns nerds ocidentais ouvindo umas bandas japas esquisitas — um lance que, aliás, a essa altura do campeonato, já ficou na cara que não é muito rentável. E aí você decide tentar a mesma coisa de novo??? Quer saber? Bem feito! Acho que tem que ser muito imbecil pra cometer um erro desses duas vezes. Estou falando de executivos de gravadoras que resolveram entrar nessa. Uma coisa é o artista querer uma realização profissional. Outra coisa é executivo burro. Faz favor, né? Curiosidade: em 2004, EXODUS também foi lançado no Brasil pela Universal (sim, isso mesmo, a do Edir Macedo, aham!!!!!!!).
Outra banda japa que vai se lascar é o GLAY. Não é a primeira banda japa grande a se aventurar no Tio Sam. B’z e L’Arc~en~Ciel já comeram desse prato, respectivamente em 2002/2003 e 2004. Até YOSHIKI já meio que entrou na dança através de shows de bandas médias no tal festival Jrock Revolution, em 2006, lembra? Todo mundo deu com os burros n’água. O GLAY perdeu muito mercado no Japão. Possivelmente mais do que o normal pra alguém que já chegou no top dos pops do país, vendendo milhões e milhões e o caramba. E agora, por algum motivo, eles resolveram fazer shows pequenos nos EUA ano passado e este ano. Que será que eles acham que vão conseguir com isso? O TAKURO do GLAY já trocou idéia com o TAK do B’z num programa da TV japonesa. Acho que TAKURO precisa de um reencontro deles.
Agora é a vez da Coreia do Sul
Em 2006, o cantor e ator Rain fez shows em Las Vegas e Nova York, onde chegou a encher o Madison Square Garden com 11.000 fãs. Rain chegou a aparecer nas revistas People e Time (duas vezes nesta, até). O cara tinha uma pequena turnê agendada pelo país em 2007, mas os shows acabaram sendo cancelados por “problemas financeiros” e a empresa coreana que agenciava Rain ganhou um puta dum processo por quebra de contrato (aqui no Brasil nós vimos esse filme recentemente? Trama e personagens diferentes, mas a mesma moral da história?).
Neste ano,
BoA começou a trabalhar nos EUA no primeiro semestre com o lançamento da coletânea “Best & USA”, single, promoção em rádios e o cacete, a mesma papagaiada de sempre. Segundo a Reuters, o álbum vendeu umas 8.000 cópias. De singles, “Eat You Up” vendeu 28.000 mp3 e o posterior “I Did It For Love” vendeu apenas 4.000 mp3. O site estadunidense oficial dela é o maior marasmo. Um dos poucos shows que ela fez nos EUA foi uma apresentação num pequeno evento gay em São Francisco. Aliás, ô playbackzinho descarado da porra, hein.
Acho que, até agora, quem mais fez algo de destaque, ao menos em termos de promoção, foram as Wonder Girls, que abriram toda a turnê norte-americana dos Jonas Brothers (YouTube).
Mas alguém aí acha sinceramente que vai adiantar alguma coisa? Mesmo sendo fã, se tem a cabeça no lugar, você acha que vai rolar algo ao menos sustentável (que, no caso dessa gente, invariavelmente tem que ser algo com o grande público)?
No melhor estilo Lost, vou voltar no tempo para revelar um detalhe interessante... Em 2006, entrou no ar em uma TV por assinatura dos EUA os canais MTV K, MTV Chi e MTV Desi (sul-asiático). Programação américo-asiática 24/7. A MTV K passava vários clipes e programas de e com Rain, BoA, BIGBANG, etc. Os três canais saíram do ar antes de completarem um ano de existência.
Pra finalizar, só penso comigo: Fala sério... A Ásia com um puta mercado fonográfico com relação ao resto do mundo e neguinho com mania de grandeza... Porque deve ser essa a razão de tanto esforço. Daqui a pouco vai surgir alguma tiazona cantora norte-coreana querendo bombar nos States também.
Fotos:
- Cê sabe, né?
- Tá na cara...
- GLAY nos EUA em 2008 pra mil e poucas pessoas
- Rain
- Óbvio...
- Wonder Girls posando no show dos JB
Sobre
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