Proibir resolve?

qua, 10/03/2010 - 23:52 — Tiano

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Há pouco tempo atrás, o anuncio com a Paris Hilton da cerveja Devassa foi retirado do ar pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), por entender que o tal anúncio com a loira gringa ofende os princípios de ética da publicidade. As acusações foram usar a imagem da mulher (que era “devassada” em uma janela de prédio, ou seja, vista em voyeur), sensualidade excessiva e mais algumas coisas menores. Bom, analisemos.

Primeiro, eu não achei nada demais no comercial. Na verdade, o comercial é bem explicável. A cerveja é Devassa, a fama da Paris Hilton também e o verbo devassar é também utilizado para invadir a privacidade. Inclusive, já vi outros anuncios em que o mesmo tema aparecia: o voyeur de uma mulher na sacada/janela. O problema foi que esse comercial incomodou por vários motivos que, realmente, não são o foco desse debate. Proponho outro foco.

Comercial cancelado, a cervejaria coloca um video no YouTube que rapidamente é visto por diversas pessoas. E, no ar, vai outro anúncio malfeito avisando do vídeo na internet. E agora, Conar? Como proceder quando a sua proibição causou mais barulho do que simplesmente permitir o comercial de continuar? E a internet, zona sem lei, é o futuro de empresas de propaganda não ortodoxas? Sim, lembro de outro comercial que só vemos na internet, o da “velhinha moderninha” das sandálias Havaianas, lembram?

Bom, por outro lado, é preciso que haja uma verificação, certamente, da qualidade do material de propaganda no país. A Conar precisa trabalhar e tem uma função importante. Então, como resolver o impasse?

Essa é a pergunta que fica no ar e entra em debate no nosso próximo programa. Aguardo vocês, na internet.

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AMF disse:

qui, 11/03/2010 - 05:45

O problema é partir do pressuposto que "televisão emburrece", o que é mentira. Foi o caso.

Lembro também da probição da Anvisa a "propagandas de alimentos pouco saudáveis" (booooo, Veja, Reinaldo Azevedo, peguem as tochas!!11) das 6h às 21h. Também é o caso.

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Herb disse:

seg, 15/03/2010 - 14:32

Acho que esse detalhe não é mais que uns 5% do problema, apesar de ser uma verdade e de não existir somente na programação da televisão, mas também em jogos e em outras coisas.

Como eu disse no meu comentário, o principal problema são os "politicamente corretos" que, mais do que achar que "televisão emburrece", acham que é pecado toda e qualquer menção à um assunto que pode gerar divergência de intrepretação, como homossexualismo, sexualidade, etnia e "n" outros.

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ctp02 disse:

sex, 12/03/2010 - 21:06

Oh CONAR se ferro msm! Pois tá eles tiraram mas colocaram bem o aviso lá "Olha tem um comercial proibido da Paris Hilton". O povo como não é curioso vai invandir uma area que o CONAR não tem direito, achei sensacional o comercial só pra ferra o CONAR!

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Capetoider disse:

sab, 13/03/2010 - 07:16

Nem vi a propaganda... mas como sou contra cigarro e bebida alcoólica... acho que as únicas propagandas de bebida (cerveja) deveria ser com tipo uns cara do tipo bem gordo, sujo, cofrinho aparecendo... ou com tipo os cara que faz a gente atravessa pro outro lado da rua porque os cara nem consegue anda em linha reta, que cai mas não larga a bebida (diga-se de passagem.... mendigos).

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Tiano disse:

sab, 13/03/2010 - 13:04

Nossa.
Sinto-me sujo.

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kubota disse:

sab, 13/03/2010 - 16:49

achei uma ipocrisia isso tipo...lançaram a propaganda 2 semanas do carnaval
e pelo que vi no carnaval tem muito mais mulher com menos roupa doque no propaganda...

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Saamy disse:

dom, 14/03/2010 - 16:22

Verdade ._.

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Leon disse:

dom, 14/03/2010 - 19:22

O CONAR de um certo jeito esta ajudando o crescimento da bebida nesse caso a cerveja .
Só para um pouco e pensar se é proibido o povo vai ficar curioso pq ta sendo proibido ai muita gente vai ficar com vontade e vai aumentar o consumo.
"como alguns dizem o que é proibido é mais gostoso"
fica ai minha opinião

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Herb disse:

seg, 15/03/2010 - 14:18

Assunto que dá pano pra manga esse. Mas é ótimo falar disso.

Em primeiro lugar, vou fazer o papel de "advogado do diabo" antes de fazer o papel de "promotor de deus".

A Conar, teoricamente, é uma conquista na área da publicidade. Ela é um orgão regulador que foi extremamente importante para os anunciantes e publicitários. Houve uma época em que o governo regulava o que ia e o que não ia no ar, e por isso haviam muitos boicotes. Então a Conar surgiu, sendo formada por representantes do povo, pessoas envolvidas no meio, como uma forma de dizer: "Não precisamos do governo para regular nossas propagandas, nós, o povo, podemos fazer isso". Isso foi uma conquista.

Porém, de uns anos pra cá, isto está ficando fora de controle. Não culpo a Conar por isso. Pra mim, esse órgão regulador continua sendo importante e continua sendo uma conquista.

Então eu defendo o boicote? SOB HIPÓTESE NENHUMA. E isso não é uma contradição.

A culpa por haver boicotes cada vez mais esdrúxulos em nossas propagandas é NOSSA e de mais ninguém. O Conar continua mantendo seu compromisso, que é representar a opinião pública perante as propagandas.

Somos nós quem entramos nessa maldita onda de "policamente correto". Se não houvessem orgãos mesquinhos, associações de vagabundos e desocupados e ONGs sem o mínimo critério existêncial fazendo reclamações junto ao Conar, não existiria nem 1/10 do boicote que atualmente existe.

Recentemente tivemos aquela propaganda da velhinha falando sobre sexo, das havainas se não me engano, que foi censurada pelos politicamente corretos.

Tivemos o caso daquela propaganda do Doritos, que tocavam músicas consideradas símbolos homossexuais, que também foi censurada.

Enfim, somos nós mesmos que censuramos nossas propagandas, nosso humor. Somos nós os caretas, politicamente corretos e detentores da verdade absoluta. E somos nós quem estamos aumentando ainda mais o preconceito e a caretisse, pois somos nós quem vemos maldade onde ela não existe.

Termino falando algo que falei na época da censura contra propaganda do Doritos, que foi censurada pelo Conar, após órgãos de defesa ao homossexualismo e contra o preconceito apresentarem queixa sobre as propagandas da camapnha, dizendo que as mesmas incitavam o preconceito contra o homossexual:

"Ora, se partirmos do pressuposto de que toda piadinha que trata de assuntos sujeitos à discussão e interpretação preconceituosa, vamos abolir do nosso cardápio as piadas de loiras, caipiras, bêbados, portugueses e tantos outros.

Vamos retirar do cinema filmes como “Cruzeiro das Loucas”, e banir da programação quadros como o de “Christian Peor e Robaldo Esperman” do Pânico no caso da TV, e “O Incrível Rosca” no caso do rádio.

E quanto a clássicos do nosso humor, como o “Seu Peru” e a “TV Macho”? Hoje seriam com certeza taxados de preconceituosos, racistas e imorais.

Vamos crucificar Jorge Lafon que tanto “chocou” os brasileiros com a exibição histérica do homossexual “Vera Verão”.

E o que dizer de Freddie Mercury, que vestiu a si mesmo e a seus amigos de mulher e encantou o mundo com seu jeito e sua música? Um herege da própria orientação sexual? Ou um herói que teve a capacidade e a personalidade de se assumir e rir de si mesmo"

Fim..

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Herb disse:

seg, 15/03/2010 - 15:06

Vídeos da campanha da ABP contra a "censura burra" na comunicação brasileira.

Banana (o melhor) - http://www.youtube.com/watch?v=1ZKQJQxEtkY
Bola - http://www.youtube.com/watch?v=Im2bjDa_SpU
Lápis - http://www.youtube.com/watch?v=7_8HZNPS4f8

imagem de Herb

Herb disse:

seg, 15/03/2010 - 18:54

E digo mais.

O CONAR não é burro, eles sabem muito bem que proibir algo, censurar algo, faz com que essa coisa seja imediatamente especulada. E pra mim, esse é o por que deles lutarem tão pouco contra esses protestos idiotas e acusações infundadas que eles recebem.

Pra mim, o Conar sabe que essas censuras funcionam inversamente ao contrário do "pra quê" elas foram feitas, e por isso continuam acatando a reclamação dos politicamente corretos. Afinal, qdo eles censuram algo, logo vem a multidão pra ver e discutir a respeito, como nós estamos fazendo aqui agora.

imagem de Herb

Herb disse:

qua, 17/03/2010 - 19:56

E só pra responder o título do post: Se proibir resolvesse o mundo seria perfeito: não teriamos tráfego de drogas, crianças alcoólatras, violência nos estádios e tantas outras coisas que não foram extintas somente com uma simples proibição.