Golpe do Século XXI

ter, 30/06/2009 - 13:48 — thi

· ·

Manuel Zelaya foi expulso da presidência de Honduras no domingo por um golpe orquestrado pelo Congresso, pela Justiça hondurenha e desferido pelo Exército. Conhecemos bem essa história: governos reformistas com amplo apoio social são derrubados e substituídos por governos repressores, civis ou militares, que vendem as riquezas do país para os estrangeiros. Um forte atentado as regras do jogo democrático.

O Brasil já declarou não reconhecer o novo governo. Roberto Micheletti, então presidente do Congresso, se assumiu como presidente da República de Honduras afirmando que Zelaya foi deposto por violar a Constituição e cometer crimes contra as instituições vigentes. Os golpistas afirmaram, ainda, que ele queria convocar uma Assembleia Constituinte para se manter no poder.

Vamos entender: o presidente deposto, com alta popularidade, sobretudo entre os católicos e as populações rurais, queria levar a possibilidade de convocar uma Assembleia para plebiscito popular. Uma das questões em jogo seria a possibilidade de uma reeleição, já presente em muitos países democráticos como o Brasil e os Estados Unidos, outra seria um aprofundamento da reforma agrária, tudo por via constitucional.

O referendo é justamente a radicalização do processo democrático: levar as questões do país para decisão popular é justamente compreender que o povo está no poder. Os golpistas, em Honduras e no mundo todo, não entendem e não querem entender. Além disso, Zelaya já afirmou que não pretende se candidatar às eleições e, caso fosse candidato, precisaria ser eleito — tudo decidido pelo povo.

O Plug In Baby espera que a Organização dos Estados Americanos (OEA) ou a Organização das Nações Unidas (ONU) intervenha imediatamente em Honduras. Já se foi o tempo que governos reformistas que alcançam conquistas sociais e econômicas são derrubados por golpes militares. Se as organizações internacionais ou mesmo os Estados Unidos nada fizerem, pode haver um efeito dominó na América Latina, o que compromete as conquistas sociais dos países vizinhos e até do nosso.

"" · permalink reduzido

imagem de Jorge dos Santos Valpaços

Jorge dos Santos Valpaços disse:

qua, 01/07/2009 - 01:08

Ótimo post thi. Temos de ficar de olhos bem abertos e torcer para a reversão do golpe. Ora mesmo da OEA e da ONU se mexerem...

imagem de M1Cr0K!LL3r

M1Cr0K!LL3r disse:

dom, 05/07/2009 - 17:48

A imprensa internacional, assim como a grande maioria dos governantes, rejeitam o chamado "golpe" em Honduras, posando de defensores da democracia. Os hondurenhos, por outro lado, parecem não ter sido ouvidos. O povo de Honduras sai às ruas para apoiar maciçamente a deposição de Zelaya, um farsante que não passa de mero lacaio de Hugo Chávez.
A mesma tática de sempre: um mandatário não está a fim de deixar o poder, então ele quer fazer uma reforma constitucional para poder se reeleger, aprova tudo mediante plebiscitos onde o povo só pode dizer sim ou não para tudo, mesmo que o pacote de mudanças tenha centenas de ítens, cria instâncias de "democracia direta" dominadas por seus apaniguados para desautorizar os órgãos representativos onde a oposição é maioria, e pronto: nosso infeliz continente ganhou mais um caudilho. Mas tudo feito "democraticamente", é claro, afinal não foi o povo que aprovou tudo?

Deu certo com Chávez, deu certo o Morales, aquele do Equador vai pelo mesmo caminho e agora esse de Honduras por enquanto o tiro saiu pela culatra... vamos ver, tem chance ainda. Diz-se que as forças armadas têm o Poder Moderador onde há conflito entre os três poderes. Dessa vez, para variar, esse pode moderador foi exercido oportunamente.

imagem de thi

thi disse:

qui, 09/07/2009 - 22:40

Reitero o que vivo dizendo aqui no blog do Plug In Baby: acho engraçado que quando é um presidente de direita que quer se perpetuar no poder, independente de ser através de plebiscito ou uma PEC qualquer, os leitores da Veja de plantão, como o camarada acima, dizem que são paladinos da democracia. Fernando Henrique era um democrata quando propôs a PEC da reeleição. Nosso hermano colombiano Álvaro Uribe, empenhado em pavimentar seu caminho para o terceiro mandato, um republicano! Pelo visto, só alguns se tratam de golpistas: aqueles que não se alinham diretamente aos Estados Unidos ou às mídias locais. Os outros são claramente defensores do processo democrático.

imagem de anonymous guy

anonymous guy disse:

dom, 05/07/2009 - 18:32

ah, vão se fuder, cambada de comunistas. só podia ser otaku mesmo pra ficar defendendo esse sistema de merda! eu sempre suspeitei dessa ligação entre otakus e o comunismo.

imagem de Jorge dos Santos Valpaços

Jorge dos Santos Valpaços disse:

seg, 06/07/2009 - 08:59

Nem comento o anônimo, haja visto que suas opiniões são pautadas no preconceito e em uma homogeinização por demais alienada. Não é necessário ser comunista ou qualquer "ista" para ter um raciocínio crítico sobre a conjuntura política a qual vivemos.

Agora, sobre o outro comentário, é um pouco complicado. Primeiro porque agrupa três experiências por demais distintas. Venezuela, Bolívia e Equador. Podemos entender alguns processos em comum, sobretudo em relação a terra e ao processo político no Equador e na Bolívia, mas mesmo assim há inúmeras especificidades, sobretudo em relação a questão indigienista boliviana. Agora colocar o Equador no meio é bastante forçado. Podemos ver que o Equador segue uma linha muito "de direita" por assim dizer, que nada se compara com o que tem ocorrido nos outros países. Observe que há uma tendência à concentração de renda e submissão à economia internacional naquele país, o vai de encontro com as políticas distribuitivistas e fortalecedoras da economia (mesmo que em atitudes questionáveis, como com a estatização de empresas) na Bolívia e Venezuela.

Agora, falar de "poder moderador" é bastante complicado mesmo. Esse termo remonta o Império Brasileiro. Consultar a história é verificar que as "intervenções militares" sempre travam processos democráticos. Questionar a "via direta" e falar que o plebiscito é um "estratégia" e "manobra" para permanecer no poder é algo um pouco vazio. Simplesmente ignora o poder de escolha da população, que normalmente é apenas "representada" por políticos que cercam seus currais eleitorais com jagunços de grandes proprietários.

Pensar que Zelaya é lacaio de Chavéz é algo bem complexo nos dias de hoje, sobretudo porque não há um "alinhamento a um grande partido" como pensou o anônimo. Ocorre que o "poder moderador" impediu uma oportunidade. E essa havia de ter sido dada...

imagem de M1Cr0K!LL3r

M1Cr0K!LL3r disse:

ter, 07/07/2009 - 17:17

Ora, Zelaya infringiu o Artigo 4 da Constituição, o qual o incrimina automaticamente por "delito de traição à Pátria", e perdeu a qualidade de cidadão ao infringir o Artigo 42, inciso 5, conforme destacado acima. Por estas infrações o Tribunal Eleitoral, a Procuradoria Geral, o Congresso e a Corte Suprema de Justiça declararam o referendo ilegal. Apesar disso, Zelaya, como um louco alucinado e cego, passou por cima de todas as instâncias superiores desobedecendo as ordens de não realizar o referendo, destituiu no dia 24 pp. Romeo Vásquez Velásquez do cargo de chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, por recusar-se a colaborar com um ato ilegal e inconstitucional (que a Corte Suprema e o Congresso o restituíram a seu cargo), rasgou a Constituição e decidiu levar adiante o plano de Chávez e Fidel.