
A Folha e sua Máscara
Anos de Chumbo · Democracia · Folha de S. Paulo · Regime Militar
A Folha de S. Paulo publicou em seu editorial do dia 17 de fevereiro uma opinião sobre a vitória do referendo na Venezuela que dá direito ao atual presidente Hugo Chávez se re-eleger quantas vezes quiser. Comparando com a história recente dos países latino-americanos, o jornal chamou a ditadura brasileira de “ditabranda”, um neologismo para designar que nossa ditadura foi menos violenta que a de nossos vizinhos. O diário se posiciona politicamente e, ao mesmo tempo, distorce a realidade venezuelana.
Sem entrar no mérito da re-eleição do presidente Chávez: a Folha parece que esqueceu que, na ditadura militar brasileira, a tortura virou prática de Estado. Institucionalmente, através do AI-5, pessoas eram assassinadas, suicídios eram forjados e a execução sumária de opositores ao regime eram diárias. Isso sem falar da habitual censura a manifestações artísticas como músicas, peças de teatro ou até mesmo textos jornalísticos que denunciassem o regime.
Vale lembrar, ainda, que a alternância de figuras no poder não constitui uma democracia. De 1964 a 1985, o Brasil foi governado por 5 generais diferentes que não tinham compromisso algum com a liberdade política, a livre-manifestação artística ou a democracia. Com a declaração, a Folha se posiciona claramente não a favor ou contra as ditaduras, e sim a favor ou contra do que lhe convém.
A Folha de S. Paulo desde sempre compactuou com a ditadura escancarada brasileira. Entretanto, com o editorial publicado, o diário confirma sua posição em achar as perseguições políticas, os assassinatos e as torturas como práticas “brandas”. Aproveitando o carnaval, o impresso paulistano deixa cair sua máscara.
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Por thi

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- Do Rio de Janeiro, RJ
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Anninha disse:
qui, 26/02/2009 - 23:31
Coleguinha, se tu tivesse feito esse post em algumas décadas atrás, teriam te suicidado FÁCIL.
E logo no carnaval que foram tirar a máscara?Porque não na Quarta de Cinzas?
Hick disse:
sab, 28/02/2009 - 16:54
Também fiquei completamente revoltado com o que li no editorial da Folha no dia 17 de fevereiro. Acho que apelidar o período ditatorial brasileiro de "ditabranda" é ofender aqueles que lutaram bravamente pela redemocratização do nosso país.
Mas eu tenho uma opinião um pouco mais complexa a respeito desse posicionamento político da Folha. Claro, trata-se de um veículo impresso minimamente democrático, que abriu inclusive espaço para leitores e colunistas criticarem nas próprias páginas do jornal o editorial em questão. Mas os interesses da Folha como mídia, como um jornal que deve prezar pela liberdade de expressão e lutar contra a prática da censura, hoje me parecem bem confusos.