Estima-se que, na virada do ano, mais de 90 milhões de brasileiros — ou seja, metade da população do país — terá acesso à Internet de alguma maneira, seja em casa, no trabalho, no celular ou em locais públicos. O Brasil é o país cujos usuários passam mais tempo conectados a rede, com 22 horas mensais. A Internet é uma fonte de informações e cultura infinita. Entretanto, será que o país inteiro está mesmo conectado à rede mundial? Quais são as vantagens e desvantagens dessa informatização?
A televisão, introduzida comercialmente no Brasil em 1950, levou cerca de 27 anos para atingir a metade da população brasileira. Se as previsões de vendas de computadores estiverem certas, o acesso do brasileiro à Internet atingirá esse percentual em apenas 14 anos após sua introdução comercial, em 1995. Entretanto, o preço da conexão banda larga no Brasil é um dos maiores do mundo, o que dificulta o acesso. Aqui, a Net cobra 395 vezes mais caro pela conexão de 1 Mbps do que o preço cobrado pela mesma velocidade em Tóquio, no Japão.
Uma das principais causas disso é a privatização sem restrições que o serviço de telecomunicações brasileiro sofreu com a vinda do neoliberalismo nas décadas de 80 e 90. O Estado tem uma única agência que controla o sistema de telecomunicações (Anatel), mas as empresas privadas, não só em relação a Internet, cobram o preço que bem entendem, pois não têm nenhum vínculo de responsabilidade social, apenas lucro. As empresas prestadoras de serviços francesas, italianas e japonesas, apesar de serem privadas, possuem um controle rígido do Estado nos preços cobrados aos consumidores.
Assim, podemos perceber que o maior acesso à Internet pelos brasileiros não provém de políticas públicas, e sim de uma combinação da classe C, que está interessada em conhecer o mundo virtual, com as lan houses, cada vez mais populares. Até mesmo por falta de informação, os jovens preferem usar a rede para o Orkut e o MSN do que visitar sites como o Domínio Público, uma biblioteca virtual que disponibiliza obras literárias, artísticas e científicas on-line na foram de texto, áudio e vídeo.
A Internet pode servir ao desenvolvimento cultural e à educação dos brasileiros. Para isso, é necessário que haja políticas públicas de difusão da informação (quem dos leitores conhecia o Domínio Público, mantido por um Ministério do governo federal?) e controle dos preços abusivos cobrados pelas empresas. Os computadores já baixaram bastante de preço, portanto já demos o primeiro passo. Mas o oásis ainda está distante.
Ver: CartaCapital Nº 508
















Comentários
AMF
qua, 20/08/2008 - 23:09
Opa, minha área D:
É, apenas poucos estão de fato conectados, e o problema nem é exatamente por causa de "empresas do mal que cobram preços absurdos pelas conexões". Não que eu discorde desse fato, anyway!
É mais essa última parte aí. Não basta ir até o Acre e/ou subir favela pra instalar Internet. Tem que EDUCAR esse povo sobre como é a Internet, e esses cursinhos de Windows/Office/IE (ou Ubuntu/Openoffice/Firefox para os freetards :B) certamente NÃO são o suficiente. Basta olhar o Pérolas do Orkut ou Salsas e Caretas do MeioBit pra entender o que quero dizer com isso.
Enfim, estar conectado não quer dizer nada. Costumo dizer que a Internet é uma dimensão alternativa, onde nem todos os axiomas da "nossa dimensão" são igualmente válidos.
phy
sex, 22/08/2008 - 01:25
A forma com que um governo influencia cada detalhe do que acontece em tudo chega a me assustar.
Bom + como o assunto não esta ligado diretamente a isso, vou tentar fazer um breve comentario a respeito.
A internet realmente é cara no nosso país ¬¬
Ta gente calma...nem era esse o mew coments xD
Acho que até mesmo as pessoas que não-estão-preparadas-para-apertar-um-botão-e-ligar-um-pc tem que conhecer esse "universo" que a internet trás, e tudo é questão de como vão conhecer e como irão usar isso, ou seja, sem querer vou acabar citando novamente a politica aqui, porque se tivessemos uma educação boa o suficiente para todos, esse problema nem iria existir u.ú
E a internet ao mesmo tempo que é uma maravilha é também perigosa, porque tem muita gente que acaba doente ou tendo varios distúrbios por conta de horas e horas vendo isso ou aquilo, e horas e horas jogando isso ou aquilo, e como sempre tudo é questão de como, como ensinar, como aprender, como levar, como entender...
Espero que em breve a banda larga tenha um preço menos f***d***a** e que todos possam ter acesso com uma estrutura boa o bastante pra que as pessoas possam se adaptar ao uso da internet de forma "saudável".
thi
sex, 22/08/2008 - 12:44
Ou seja, é tudo uma questão de educação, como demonstram os dois comentários acima.