A Rádio Blast! hoje foi destaque na seção Comportamento do Jornal Correio de Uberlândia, jornal escrito local da cidade de Uberlândia (MG). Na matéria de duas páginas inteiras sobre elementos da cultura japonesa no Brasil (páginas A10 e A11), uma página é da Rádio Blast!.
A reportagem traz informações referentes ao surgimento da rádio, à forma como lidamos com a música japonesa na Internet e às proporções que o projeto assumiu com o passar do tempo. Leia toda a matéria na íntegra, com exclusividade, no nosso site.
Muito além do desenho animado
Animes, j-rock e mangás unem a turma apaixonada pelo estilo nipônico
Há cinco anos, Guilherme Silva e Henrique Duarte, então com seus 10, 11 anos de idade, não eram muito diferentes das crianças ou pré-adolescentes da época. Um dos passatempos favoritos da dupla era assistir aos desenhos animados pela TV. Opa! Desenho animado não! Anime ou (animê) japonês, como Pokémon e Digimon. Hoje, aos 16, eles são os responsáveis pela rádio Blast! (www.powermon.net/blast), assim, com exclamação. Dos seus quartos em Uberlândia, entre revistas, mangás (desenhos em quadrinhos com historinhas e desenhos baseados na cultura nipônica), livros da escola, CDs e DVDs, eles iniciaram uma jornada que atinge a jovens e adultos em todo o território nacional para divulgar o j-rock ou rock japonês.
Enquanto as discussões sobre o conteúdo dos animes, que muitos consideravam violentos, tomava conta de algumas rodas, seus adeptos uberlandenses estavam mais interessados na trilha sonora das produções. Com o passar do tempo, descobriram-se bandas como as orientais Luna Sea e the GazettE. “Nosso primeiro interesse foi o anime, depois pelas bandas que apareciam nas trilhas sonoras e começamos a pesquisar”, recordou Henrique Duarte.
Além do j-rock, eles também são apreciadores do J-Pop (pop japonês) e, se nenhuma rádio por aqui tocava nada disso, eles começaram a transmitir via Internet e, em agosto, a Rádio Blast! completará um ano. “Para nós é prazeroso e gratificante estar no segundo lugar entre as rádios amadoras mais ouvidas da rede e expandir o nosso trabalho pelo país”, comemorou Henrique. A estatística é do site www.shoutcast.com, que tem listadas as rádios amadoras da Internet. Para essa geração que usa o mouse como meio de socialização, estar em contato com pessoas que gostam da mesma coisa é o que aumenta o conhecimento de cada um. “Hoje a rádio conta com DJs de Uberlândia, Rio de Janeiro, São Paulo e até do Acre. Nossa média de ouvintes simultâneos é entre 300 e 350 durante o dia”, explicou Henrique.
X-Japan, Malice Mizer, Dir en grey, the GazettE, Luna Sea, Ancafe, Miyavi. Você pode não ter ouvido falar, mas estas bandas japonesas estão entre as mais pedidas da Rádio Blast! e das festas de games, animes e cosplays (participantes vestidos de seu personagem favorito) em todo país. Em comum entre elas, além do idioma, está o Visual Kei (VK), movimento visual e estético característico das bandas de rock japonês. Para bater de frente com o tradicionalismo nipônico, eles lançam mão de muito couro, metal, tatuagens, maquiagens carregadas e cabelos das mais variadas formas e cores. No som, um misto de metal, punk e heavy que conquista a audiência. Além de tocar sons que vem do outro lado do mundo, os DJs da Blast! apostam nas bandas brasileiras adeptas do J-Rock e desenvolveram os websites do Psygai e do Obsexion, do Rio de Janeiro. “O Rio é uma das cidades que mais têm bandas neste estilo. A Psygai é uma das primeiras do Brasil e a Obsexion uma das mais populares”, disse Henrique.
O vocalista da Psygai está no Japão para aprender mais sobre a cultura nipônica. A Obsexion ganhou o concurso nacional de bandas de J-Rock do Festival de Imigração Japonesa (FIJ), que aconteceu nesse ano em Santos (SP).
Sonho realizado no Anime Friends em SP (matéria de caráter pessoal dos DJs Guideki, Hick, Silphy e Flyer)
Há pouco mais de uma semana, Henrique Duarte realizou um sonho: participar do Anime Friends, popular feira nacional em São Paulo. Só quatro dias antes da viagem teve a autorização dos pais para viajar. “Eles entendem que ganhamos algo com todo este trabalho com a rádio, mas quando o assunto é viajar para longe de casa a coisa muda de figura”, argumentou Henrique. Como ficam só por conta dos estudos, dependem de os pais liberarem a grana. Dessa vez, os pais de Guilherme Silva deram uma força e acompanharam os garotos à feira. A experiência é descrita como fantástica. “Foi a primeira vez que vi um show ao vivo do Obsexion e a gente já trabalhava com o site deles há algum tempo”, declarou Henrique. Adeptos do Creative Commons ou política de alguns direitos reservados, nos programas da Rádio Blast!, eles dão créditos devido a todo conteúdo, seja musical, visual ou editoria, a seus autores. “Ainda disponibilizamos venda de CDs dos grupos, mas, para nós, o mais importante é divulgar a cultura”, explicou. Está nos planos dos garotos, logo que possível, aprender a falar japonês.
Descobrindo mais sobre o modo de viver dos jovens do Japão
Para quem pensa que anime e j-rock são coisas de crianças e adolescentes, Mônica Tiyoco é prova de que a história não é bem essa. Aos 29 anos, ela leciona japonês em Uberlândia e foi a organizadora do Sugoi Anime, que aconteceu em abril deste ano e reuniu 1,3 mil pessoas na Universidade da Criança. Tiyoco é sansei (neta de japoneses), natural de Londrina (PR), mas adotou Uberlândia como lar há sete anos. “O que era pra ser a inauguração de uma loja transformou-se em um grande evento”, disse. Segundo ela, logo que surgiu a informação que haveria uma feira de cultura japonesa começaram a aparecer voluntários para montar as bancas, fazer apresentações artísticas ou apenas prestigiar a festa. “Eu comecei a trabalhar com anime por insistência dos meus alunos e gostei”, revelou. Tiyoco foi para São Paulo como voluntária de alguns eventos da área e teve a idéia do Sugoi. “A surpresa foi agradável, porque nem nós sabíamos que tinha tanta gente na cidade que apreciava as mesmas coisas”, lembrou.
Para Tiyoco, o interesse dos jovens pela cultura japonesa vem aumentando gradativamente na cidade, mas não chega a ser uma explosão. “Eles buscam algo a mais que não encontraram na cultura brasileira”, afirmou. Além dos fãs de anime, adeptos de artes marciais também buscam aprender mais sobre os nipônicos. “O anime mostra a cultura japonesa de uma forma realista e é uma referência confiável para quem quer saber mais sobre o país”, disse. Há quem busque mais sobre samurais, ninjas e outros querem mesmo só saber das bandas de j-rock, mas para ela é tirar esta imagem de que anime é coisa de criança. “Tanto o desenho quanto a leitura dos mangás são usados como parte da educação nas escolas japonesas. Ao transportar para o mundo colorido e dinâmico dos quadrinhos, os sentidos de hierarquia, a disciplina e os exemplos de amizade e lealdade dos japoneses, a arte ajuda esses adolescentes a se relacionar melhor. Eles acabam incorporando algo do que vêem”, avaliou.
Além disso, Tiyoco afirma que o interesse por um idioma e uma cultura diferente pode abrir novas oportunidades para os jovens brasileiros. “Hoje nós temos alunos que querem ser roteiristas, cineastas ou trabalhar com computação gráfica para produção de animes em outros países”, contou. Para ela é um horizonte que se abre para eles, e começam a ver o mundo de uma forma menos preconceituosa.
Serviço:
Para saber mais:
- www.psygai.net
- www.powermon.net/obsexion
- www.lunaseja.co.jp
Por Adreana Oliveira
[adre@correiodeuberlandia.com.br]
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