
Indicação: E, com vocês, O Hobbit!
Indicação · Literatura · Na Ponta do Lápis · O Hobbit · Tolkien
Apresentação
Fala, pessoal da Rádio Blast! Depois de um mês afastado por conta de alguns assuntos que agora não vêm ao caso, eu, Pictor, estou de volta para continuar fazendo programas e escrevendo. Desta vez, porém, ao invés de os já tradicionais textos que abordam o Japão ligados ao programa que apresento, o Japanice, o foco escolhido é outro. A partir de hoje, também escreverei sobre sugestões para os ouvintes da Rádio Blast!
Sugestões? Sim, sugestões, e sobre tudo. A RB!, muito mais do que sua já grande ambição em divulgar a cultura japonesa, também tem o objetivo de promover a cultura em geral, nos mais diferentes estilos e mídias possíveis; afinal, há muito do Japão presente em outras produções não japonesas, as quais com certeza merecem atenção. Assim, de uma maneira ou de outra, as sugestões aqui expostas têm como objetivo não só fazer com que os leitores se divirtam, como também que conheçam produtos dentro e fora do “horizonte otaku” a que muitas vezes estamos presos.
Muitas vezes, seja no Japanice ou em uma conversa informal com amigos, me pego fazendo indicações de livros, filmes, álbums, mangás e outras coisas. Com o tempo, percebi que fazia isso mais do que pensava. Sempre achei que muito do que é a essência da personalidade de alguém vem das experiências que elas têm com as formas de arte. Dessa forma, esses produtos sempre têm com o que contribuir para nós, por mais estranho que isso possa parecer. Assim, acredito que dar voz a essas indicações por meio de colunas seria o melhor que eu podia fazer.
Falarei sobre tudo, esteja ele relacionado com o Japão ou não em vários blogs já existentes aqui na Rádio Blast!. O único critério escolhido para que uma determinada obra apareça por aqui é a qualidade alta, sem dúvida. Muito além de uma mera descrição, que farei rapidamente de forma que não prolongue muito o texto, esses se referem às minhas impressões sobre a obra. Assim, mais do que escrever sobre como ela em si é, também me ocuparei dizendo minha opinião, os pontos fortes e fracos, além de outros tópicos mais. Tudo o que for dito não representa a opinião da rádio como um todo, apenas minha e, como toda opinião, é passível de críticas, comentários e conselhos, os quais ficarei muito feliz em receber. Obviamente, os leitores devem participar. Por isso, não se acanhem em mandar suas sugestões de livros, filmes, animes, mangás ou qualquer outra obra de destaque para [email protected]

A obra escolhida de hoje é uma já muito conhecida, acredito eu, e que só tive a oportunidade de ler há poucos dias. Trata-se de um livro acima de qualquer expectativa. Uma das poucas aventuras fantásticas que conseguem seguir estritamente seu rumo sem se perder ao longo da história. Um livro curto e um nome de peso. Apresento a todos O Hobbit. Conhece O Senhor dos Anéis? Pois é, trata-se do primeiro livro ambientado nesse famoso mundo. Mas não se engane. O Hobbit não faz parte da trilogia dos anéis, se é isso que você está pensando. Trata-se de uma obra que veio antes, e só por causa de seu sucesso Frodo e cia. puderam existir pelas mãos do mesmo autor, J.R.R. Tolkien. Acreditem, seus pais estavam certos em dizer que às vezes é legal desligar o computador e ler um livro, por mais clichê que isso possa parecer.
Um Clássico
Antes de tudo, peço que esqueçam qualquer tipo de literatura fantástica atual que já leram. O Hobbit é um clássico publicado pela primeira vez em 1937 e, portanto, apresenta diversas diferenças saudáveis dos romances escritos hoje em dia. No entanto, não é por conta desse seu caráter que a obra pode ser considerada antiquada. Um clássico sempre é um clássico, por mais antigo que ele seja, e, em se tratando de literatura fantástica, a ideia de que o livro seja antiquado faz menos sentido ainda.
O livro fez um enorme sucesso por apresentar diversos elementos que no futuro influenciaram muitas outras produções. Se hoje temos MMORPGs (RPGs online) e games em geral, devemos isso principalmente a histórias como as vistas neste livro. Saber de onde vieram os fundamentos dos enredos que possuímos em nossos dias é sempre interessante e, neste caso, reconhecer clichês é extremamente fácil, uma vez que foram a partir de autores como J.R.R. Tolkien que eles foram criados.
Entretanto, a experiência de ler O Hobbit não torna-se desgastante e tediosa por conta disso. Indo pela via oposta, a obra se apresenta como um verdadeiro incentivo àqueles que têm horror de encostar em um livro e não conseguem resistir à tentação do sono depois da quinta página. Trata-se de um livro que funciona ainda melhor hoje, em tempos que tudo vai e vem num enorme fluxo de informações, pois mostra que sentar e ler, acredite, pode ser interessante. É uma história cheia de ação e que bate com as mesmas expectativas que alguém que vê um anime ou lê um mangá tem: o de acompanhar uma história interessante.

Como dito anteriormente, a obra foi escrita e sua história acontece antes d’O Senhor dos Anéis. Assim, o que acontece no desenrolar da trama tem completa ligação à trilogia dos anéis, ainda que não a altere substancialmente. Como O Hobbit é um livro que não pertence a nenhuma série propriamente dita, acredito que a forma como é escrito seja um pouco menos densa se comparada a seus sucessores. No entanto, mesmo sem ter lido os três livros seguintes, acredito que o estilo de escrever do autor não se altere muito. Por isso, se você já leu O Hobbit e quer algo parecido, já sabe por onde seguir.
Enredo
A história começa com a apresentação do personagem principal, o hobbit (espécie de raça humanoide menor que anões) Bilbo Bolseiro. Sim, nesse mundo fantástico, tais criaturas são comuns e agem como verdadeiros humanos: falam, tomam banho, fazem negócios e tudo mais. Bilbo mora em sua aconchegante casa sem ter muitas ambições, como acontece com a maioria dos hobbits. Ele não espera mais nada de sua vida, apenas viver ali sem sair muito, como sempre fez.

Certo dia, enquanto fumava do lado de fora de sua toca, o hobbit é surpreendido pela chegada de um velho estranho, muito mais alto que ele. O senhor apresenta-se como Gandalf (é, aquele mesmo), mago já muito conhecido por suas aventuras pelo resto do mundo. O hobbit se sente intimidado pelas palavras do velho e trata de voltar para dentro de sua casa o quanto antes. No dia seguinte, enquanto espera que a hora do chá chegue, Bilbo é surpreendido por 13 anões que batem e entram em sua casa sem nenhuma vergonha ou receio, como se eles já se conhecessem há um longo tempo. Bilbo não entende nada até que Gandalf apareça e diga o que se passava. Os anões partiriam numa campanha até a Montanha Solitária, lugar que um dia foi sua casa. Lá, junto com todo o ouro que a raça dos anões tinha conseguido durante séculos de existência, vive Smaug, O Dragão. A partir daí, o hobbit é notificado que partira com eles e fará, mesmo sem querer, grande diferença nessa história.
Um livro fácil
Com o enredo, não restam dúvidas do quão fantasioso o livro é. Um começo como esse dá margem a uma enorme quantidade de outras aventuras tão inóspitas quanto e que poderiam se estender por páginas e mais páginas. É isso o que acontece em várias outras publicações, nas quais os autores esquecem-se completamente de seu propósito inicial e se perdem em outros acontecimentos sem nenhuma utilidade real. No entanto, contradizendo o que acontece em vários romances atuais, O Hobbit não é assim, e essa é uma das suas maiores qualidades.
A todo momento, o autor busca dizer exatamente o que interessa. Dessa forma, o ritmo da leitura não se perde. Ao invés de uma caracterização extrema por parte dos cenários e personagens em tudo quanto é situação, o que de certa forma quebra a sequência narrativa, a história revela o que considera essencial e deixa o restante para a mente de seus leitores. Isso, sem dúvida, é um dos pontos altos d’O Hobbit.
Cabe ao leitor, e somente a ele, complementar as palavras que lê e formular em sua mente tudo o que acontece no livro, e isso é um desafio, acreditem. Muitas pessoas não conseguem imaginar além daquilo que está escrito e, por isso, sentem-se acomodadas diante de descrições minuciosas dos acontecimentos. Muitos poderiam pensar que deixando a imaginação do leitor tomar conta da história, o autor fosse apenas um preguiçoso que não gostasse de sua história bem acabada. Poderia até ser verdade se não fosse de J.R.R. Tolkien que estivéssemos falando. Ele realmente sabe como deixar tudo num tom natural e, mesmo em um universo sobrenatural, nada forçado.

O Autor J.R.R. Tolkien
O livro não trabalha com situações e linhas de raciocínio densas demais. É tudo muito simples e fácil de acompanhar. A capacidade de ir direto ao ponto da obra a faz extremamente rápida, ainda que conte com diversas reviravoltas. Não há nada que fica subentendido e obriga o leitor a ir realmente muito fundo em representações ou passagens confusas cheias de duplos sentidos e aplicações em outros aspectos de nossa vida. É tudo muito despretensioso e honesto com o leitor, que fica realmente satisfeito quando a obra acaba.
Desdobramentos hoje em dia
Sabe o conceito de uma party (conjunto de guerreiros) que partem em conjunto para uma quest (difícil missão) e que tem que passar por difíceis desafios até que atinjam a última dungeon (caverna) para enfrentar o dragão? Você pode trocar os anões por assassinos, mercenários ou espadacinhs, o dragão por um mago maligno e o ouro por experiência que permite aos heróis ficarem mais fortes. O resultado é o conceito de RPG (Role Playing Game) que temos hoje. É isso mesmo: Obras como O Hobbit e O Senhor dos Anéis, além, é claro, de muita mitologia celta e fantasia, ajudaram a definir o modo como muitos conhecemos esse tipo de jogo. Foi pelas mãos de autores como J.R.R. Tolkien que as pessoas começaram a enxergar o quanto uma história com fundo medieval, mágica e toda a ambientação sobrenatural que tem direito, podia ser realmente interessante e até real no que diz respeito aos sentimentos e valores apresentados.

Dados de RPG de mesa. Se não fosse por obras como O Hobbit, eles talvez nem existiriam
Dessa forma, pode-se dizer que o embrião do que hoje conhecemos como Role Playing Game, além de seus conceitos fundamentais, ganhou voz principalmente por conta de obras como essa. Obviamente, pra quem já é familiarizado com todos esses aspectos encontrados em RPGs de hoje em dia, o livro torna-se ainda mais prazeroso e fácil de ser lido. Sentirão-se em mais uma dungeon de seu MMORPG favorito.
Adaptação para o cinema
O Hobbit ganhará uma adaptação para os cinemas em duas partes, com previsão da primeira para o fim de 2012. O diretor, como não poderia deixar de ser, é Peter Jackson, o já veterano em adaptar histórias de J.R.R. Tolkien para as telonas. Foi ele quem dirigiu os três filmes de O Senhor dos Anéis e ganhou toneladas de Oscars por eles. Acredito que tudo sairá bem fiel ao livro e o filme será um enorme sucesso. No entanto, não é por causa do filme que deixaremos de ler o livro e vice-versa.

Não pretendo ser mais um daqueles que pregam aos quatro ventos o quanto o livro é melhor do que suas adaptações e não pode ser comparado com absolutamente mais nada que leve o nome da franquia. Na verdade, vejo um pouco de verdade nesse posicionamento, apesar de não concordar inteiramente com ele. Acredito que antes de partirmos para as adaptações, devemos experimentar a mídia pela qual o produto primeiro se apresentou e para qual foi planejada. Dessa forma, poderemos aproveitar ao máximo o que ela tem a nos oferecer uma vez que se propôs, desde sua idealização, a ser apresentada daquela maneira. Nem sempre o que sai de páginas e vai pras telas transmite perfeitamente o que o autor queria transmitir e que só suas palavras poderiam. Como também não são todas as vezes que filmes tornados livros emplacam como best-sellers, por simplesmente não terem sido idealizados para aquilo.
Terminando em grande estilo
O Hobbit é um tremendo livro em todos seus aspectos. Fácil, despretensioso, direto e curto sem ser apressado. Um clássico que merece ser lido e apreciado.
Espero que esta sugestão atenda a demanda de um público cada vez mais acostumado à rapidez dos meios de comunicação e muitas vezes impaciente quando se fala em livros. Mandem suas próprias sugestões de obras que realmente tenham qualidade e da qual gostem para que eu possa ver e talvez no futuro escrever sobre elas. É só enviar um e-mail pra [email protected]
Espero que tenham gostado. Até mais!
Sobre
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victor_sama disse:
sex, 09/12/2011 - 16:01
cara esse livro é muito bom eu li ele uma vez mais em termos de desgasto ao longo do tempo ai não concordo ,se a pessoa leu como eu depois de ler a saga do anel, tentar ler esse livro torna muito desgastante (claro depois de ler um livro que é 3 em um com mais ou menos aproximadamente 1200 paginas então é difícil mesmo )mas é um otimo livro mesmo e ainda ajuda a entender mais a historia na saga do anel
Nah disse:
ter, 13/12/2011 - 19:18
Matéria perfeita, como sempre, Pictor <3 Vou até divulgar, gostei 'pra caralho'.
Bem vindo de volta <3
a_Gio disse:
qua, 14/12/2011 - 10:28
Adorei a matéria! É bom saber que vão fazer um filme do livro, tô bem anciosa pra ver, assim como a trilogia Senhor dos Anéis, creio que vai ser bem fiel ao livro.
Parabéns Pictor xD