De novo! E dessa vez não é exclusividade brasileira!

Muita gente vem comentado e dado corda para a mais nova bosta de touro promovida por um órgão público brasileiro: A proibição das vendas de dois jogos (Counter Strike e Everquest) em Goiás. Toda a discussão se resume a mais algum ressentido ‘homem da lei’, suportado por uma série de ‘profissionais’ retrógrados, que com argumentos totalmente vagos promovem o preconceito generalizado contra o veículo Games.
Como não há nenhum órgão específico da ‘classe’ com a finalidade de intervir e argumentar de igual para igual contra estes detentores das verdades, a decisão é tomada sem qualquer estudo profundo. Uma decisão extremamente séria como a censura, tomada levianamente por uma instituição judiciária, assustada com o nível real da violência e sua incapacidade de fazer alguma coisa. Gente totalmente alheia a este movimento cultural, sem qualquer argumento que vá além de impressões superficiais, fazendo valer a Democracia.
Enfim, a coisa toda pode ser acompanhada no blog Liberdade Gamer, criado exclusivamente para mostrar a indignação de um grupo de pessoas que vive disso e empenha-se seriamente para conseguir que esse mercado se expanda.
A história toda parecia bem pouco relevante no começo: primeiro pois, de tão absurda, logo algum agente sério deveria tomar parte e vetar a palhaçada. E depois porque, obviamente, o decreto não se estenderia a cidades onde a jogatina é mais expressiva, pois a voz de uma corporação internacional falaria mais alto e voi lá, faria se valer a lógica capitalista. Coitada da vasta comunidade Gamer de Goiás que agora não poderia mais comprar (comprar?) os jogos, e nem jogar nenhum dos dois em Lan houses (aleluia!!!!! Mas calma aí... Everquest?).
O grande boom veio quando o nosso jornalismo sério resolveu se intrometer, com toda sua já rotineira neutralidade, causando polêmica. Virou bafafá, caiu na boca do povo (de novo!) e já sabe: “ai meu deus, meu filho acho que joga essas coisas no computador. Será que eu sou uma boa mãe? Será que estou sendo muito relaxada? Não tenho tido tempo de acompanhar o crescimento dele, não entendo dessas coisas que ele fala. Será que estou perdendo o controle da minha família? Vou tomar já uma atitude!”
Mas calma lá. Você está realmente surpreso com esse desentendimento?
Tem um tempo que o Fantástico apresentou uma matéria sobre um casal de otakus que fugiram de casa supostamente por causa da influência dos desenhos japoneses. Obviamente era mais uma matéria sensacionalistas, que fez com que meio mundo julgasse se assistir desenhos com tanto sangue e mortes e... e... e... bem, aquelas coisas endiabradas que todo mundo sabe que tem nesses desenhos doentios, fazia bem para a juventude. Um exemplo de conseqüência direta e nociva disto: estava marcado um show de uma banda japonesa, que não tinha nada a ver com nenhum anime. Depois da matéria os patrocinadores caíram fora, com medo de sua marca ser associada a algo negativo, pois, obviamente, tudo que viesse do Japão teria o dedinho do diabo no meio.
Ah, sim, outra! Qual a imagem que vem na sua cabeça quando você ouve falar de Skinheads? Nazistas, pancadaria, punk sujo, preconceito, enfim, aquele monte de coisa ruim de gente malvada sem coração que emergiu do limbo para infernizar nossa vida angelical. Quando, na verdade, skinheads surgiram na Inglaterra na década de 60 como um movimento contra o preconceito, irmãos dos rudeboys, com enorme influência da cultura operária jamaicana, amantes de rocksteady, ska e soul. Essa cultura de violência meio que nasceu de uma vertente destes que acabou se envolvendo com os Hoolligans. Sempre houve uma briga enorme dentro do movimento dos prós e contras ao preconceito, que vinha de uma conotação política. Mas enfim, isso é tudo história, e quem precisa de história? Negócio é que skinhead mete a porrada em preto, paraíba e viado e foda-se. Sai de perto e se ver algum, chama a polícia!
Tá bom, já deu né? Se for ficar listando aqui a pouca precisão do nosso jornalismo sério, eu ia render mais umas 8 páginas de erratas. A verdade é que eles não estão atualizados e nem tem uma estrutura que proporcione uma renovação de conteúdo sequer um pouco semelhante a da internet, não acompanham nenhum movimento cultural afinco, não se dão ao trabalho de consultar especialistas, e, quando o fazem, deturpam. São o reflexo de terninho e crachá do povão.
Alguns já dessem o pau no Brasil. Eu concordo, creio.Também acho que parte da culpa esta no povo que se interessa muito mais em ver o pau pegar fogo. Mas isso não é só no Brasil. Essa onda de preconceito com Games tem virado notícia, de maneira um bocado mais atualizada porém, nos EUA.
Essa discussão toda sobre o jogo do XBox360 Mass Effect esta rolando lá fora agorinha, ainda nem se resolveu por completo. Supostamente, de acordo com a FoxNews, o jogo, um dos lançamentos mais falados nas mídias especializadas por suas MUITAS escolhas cabíveis ao usuário no desenrolar do roteiro, apresenta cenas do que chamam de nudez digital e de sexo (estas tais cenas se resumem a meio peito e meia bunda de uma alien, durante mais ou menos 30 segundos). No desenrolar da curtíssima matéria para temas vastos como censura e formação de personalidade, algumas pessoas (nenhuma tendo jogado o jogo em si) falam sobre video-game de forma totalmente preconceituosa, denegrindo a sua participação na sociedade. O único especialista convidado para defender a série de inverdades tem seus argumentos todos cortados no meio, sem serem sequer relevados.
A grande diferença na resolução do evento foram as respostas do público e das empresas envolvidas. A resposta dada pela EA para o caso (a mesma EA do CounterStrike) se resume ao seguinte: Ela, em nome da Bioware, deixou bastante claro que ficou indignada com a matéria e pede (quase ordena de maneira polida e inteligente) para a Fox fazer algo a respeito e desmentir todos os exageros citados, em nome do bom senso. Diz que séries de horário nobre, do próprio canal, tem exposição de nudez e sexualidade muito maior e que são classificadas livres.
Contudo, o ponto mais destacável da resposta foi outro: Na equipe de Mass Effect estão mais de 120 homens e mulheres que dedicam a vida para aprender e desenvolver conteúdo para vídeo-game. Pessoas realmente empenhadas, com diplomas em todo tipo de tecnologia e arte, que tem seu trabalho marginalizado por pessoas completamente ignorantes, com senso de justiça alienado.
Acontece que a comunidade Gamer lá fora resolveu se vingar e teve sua voz ouvida. A página do site Amazon, onde o livro da auto proclamada psicóloga Cooper Lawrence, que foi chamada para discutir o tema no programa, pode ser vendido e qualificado, foi entupida de centenas de spams revoltados. Não só esse livro, mas todos os outros da autora também foram alvos de ataques. Ela, como também a âncora do jornal (que acabaram demonstrando em cadeia nacional sua ignorância), foram obrigadas a se pronunciar, dizendo que realmente não haviam pesquisado sobre o jogo e que cometeram um enorme engano ao julgá-lo.
O NyTimes (que categoriza seus artigos sobre Games dentro de ‘art’) cita: “Tendo sido atacada [<= Cooper Lawrence] por mensagens de blogs, fórums, chats e desenvolvedores do mundo inteiro, percebe-se que os Gamers são a subcultura mais intensa na internet...”.
E esta é definitivamente a realidade! Apesar de ainda sermos uma ‘tribo’ (odeio profundamente este termo) sem rosto, misto de várias outras subculturas, somos um grupo realmente muito expressivo e, se quisermos, podemos realizar façanhas realmente notáveis na defesa do veículo Games como algo sério e igualmente relevante, culturalmente falando, a qualquer outra arte tradicional. Que nós nos importamos e realmente gostamos dessa cultura diferenciada proporcionada pelos jogos e que um esteriótipo ou outro não vai conseguir fazer essa potência deixar de exercer cada vez mais influência na maneira como tocamos nossa vida.
O grande negócio é começarmos a, nós mesmos, levarmos essa porra a sério! Então, se você está em São Paulo, vá ao manifesto lá no vão do MASP, e leve toda essa paixão fanboyzista que você tem no seu jogo favorito para defender algo decente.
Sobre
Esta coluna é complementar ao blog CybeRarts, contendo algumas de suas matérias mais relevantes. A proposta deste blog é estudar as possibilidades e as tendências artísticas apresentadas pelos novos veículos de entretenimento. Obviamente, como canal mais expressivo, iremos explorar os Games, sua repercussão, sua história e o desenvolvimento de suas peculiaridades, contando com resenhas e artigos sobre novas soluções e façanhas esquecidas. Além disso, abordaremos tendências de cinema, arte digital, realidade virtual e outros temas relacionados ou não a ratos.
No ar!
JOE'S MUSIC
Com TchulioJoe
Música atual (02:02): -OZ- - RAZE
Autores
- Rodrigo Esper, vulgo xper. Por quê? Vai saber...
- Rio de Janeiro (RJ)
- Aspirante a Game Designer, Diretor de Arte e Fotógrafo
- Gerente do JaME Brasil
- Apresentador do JaME Soundsystem, na Rádio Blast!
- Hardcore Gamer e estupidamente viciado em informação
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